Aviação Reviews 

Review 1/144 Avro Vulcan B.2 – PIT-Road #P3200

A aeronave,

Mais uma vez vou falar de uma das minhas aeronaves preferidas: O Avro Vulcan, que para mim é umas das aeronaves mais elegantes já construídas e está no top list das minha favoritas, vamos ao review.

3 de junho de 1982 a operação Black Buck 6 está em andamento, o tempo está bastante ruim e a única ação de ataque ofensiva de ataque aéreo daquele dia sobre as Ilhas Malvinas está para ocorrer. A bordo do Avro Vulcan B2 XM597 estão o Líder de Esquadrão Neil McDougall, e sua tripulação, o bombardeiro leva mísseis anti-radar AGM-45 Shrike, a intenção é usá-los contra os radares instalados ao redor do Porto Stanley.

McDougall se aproximou do alvo pelo noroeste voando a baixa altitude antes de subir para os 16000 pés para iniciar seu ataque. Entretanto a experiência de sua tripulação já dizia que um ataque dos Vulcans era esperado pelos operadores dos radares do porto, quando estávamos a nove milhas do alvo os radares começaram a desligar relembra McDougall e quando nós voltávamos para o mar eles voltavam a se ligar.

Eles ficaram neste processo durante quase 40 minutos, indo e voltando. Então McDougall tomou a decisão de voar diretamente até eles, desta vez eles teriam que religar os radares para poder contra atacar. Os manetes foram puxados para trás e o XM597 começou a descer, eles desceram até os 10 mil pés até que as armas antiaéreas começaram a disparar, ao mesmo tempo o Operador de Armas Eletrônicas (AEO) Tenente Rod Trevaskus travou o alvo com dois Shrikes e os lançou, um após o outro contra o radar..

Quando McDougall puxou o manche para retomar a altitude, eles estavam tão baixos que foi possível ver o flash das explosões dos Shrikes. Um dos mísseis caiu bem próximo ao um dos sistemas Skyguard causando grandes danos e matando 4 pessoas (um oficial, um sargento e dois soldados)…..

Ao voltar para a zona de reabastecimento, o probe de reabastecimento apresentou problemas durante o reabastecimento em um Victor impossibilitando a aeronave de retornar para a a Ilha da Ascenção, sobrarm duas alternativas, saltar arriscando a vida e perder a aeronave ou pousar no Rio de Janeiro,  McDouglall decidiu pela segunda opção, com apenas 3000lbs nos tanques, e com 2500lbs necessárias para realizar o circuito. Com muita perícia McDougall trouxe o grade pássaro fazendo um pouso perfeito no Aeroporto do Galeão, sem nem mesmo precisar usar o paraquedas de frenagem.

Começa então algumas supresas: Um shrike não havia soltado, e precisava ser desmontado e desarmado por pessoal devidamente treinado, pois era um grande risco um equipamento bélico “vivo”  especialmente em um aeroporto civil. Um oficial da FAB para fazer o trabalho, e o Shirke foi removido para um depósito da FAB e devolvido a RAF no fim do conflito.

Outro problema seriam as acusações da Argentina de que o Brasil tivesse abrigado uma aeronave que retornava de um ataque, para evitar maiores complicações, todos os documentos da missão foram jogados ao mar, além disso foram disparados ao mar os mísseis remanescentes do ataque.

Os dias seguintes foram de informações desencontradas e acusações, mas duas semanas depois o Vulcan, já reparado, decolou do Galeão com destino as Ilhas da Ascenção, na sua fuselagem estavam pintados dois Shrikes (simbolizando os ataques bem sucedidos) e a bandeira do Brasil, demonstrando a necessidade de pousar no Rio de Janeiro, curiosamente a bandeira foi pintada de cabeça para baixo…

O Shrike não disparado apresentou enorme risco àquele pouso, imagino o que poderia ter acontecido se ele houvesse disparado em solo….

Atualmente o XM597 repousa no National Museum of Flight, em East Lothian, Escócia.

O Vulcan foi usado em operações de combate “reais” apenas neste conflito…

O AVRO VULCAN

Após o fim da Segunda Guerra, o governo Britânico sentiu a necessidade de desenvolver uma força de bombardeio estratégico nuclear, e apenas alguns anos depois, a Inglaterra veria a detonação de sua primeira arma nuclear a Blue Danube (Danúbio Azul).

A RAF então fez uma especificação para um novo bombardeirio (B 35/46) que deveria ter 4 motores a reação e que fosse capaz de levar a Blue Danube e também uma grande variedade de armas convencionais, ter alcance de pelo menos 3300 milhas (5300Km).

Os projetistas da AVRO pensaram em uma aeronave convencional com enflechamento de 45°, asas enflechadas produzem meno sustentação do que as convencionais de mesma envergadura, entretanto produzem menos arrasto, o que torna  a asas bastante eficiente em grandes altitutes e velocidades. Porém era necessário ter bastante sutentação devido a carga que o modelo deveria levar, então os engenheiros da AVRO pensaram em aumentar a envergadura, que aumentou em muito o peso da aeronave e mostrou ter pouca performance.

Voltaram então para a prancheta para tentar novos designs, alias a capacidade de carga, com grande altitude e velocidade era um grande desafio para os projetistas que já haviam pensado m diversas soluções, mas esbarraram em muitos problemas, principalmente estruturais. Após cerca de um mês de estudos a cauda do modelo estava praticamente removida e sua asa enflechada havia se tornado uma asa em delta.

Mais ainda havia mais um problema, embora com muitas vantagens aerodinamicas uma aeronave como esta configuração de asas nunca havia sido construída ou voada na Inglaterra. Surgia então o Avro 707, construído para provar o conceito de asas enflechadas.

Ele era um modelo com 1/3 da escala do bombardeiro que ser prentendia construir (mais tarde o Avro Vulcan), foram construídas seis variantes, cada um com o objetivo de testar uma característica diferente do projeto.

As versões produzidas foram:

Avro 707Uma aeronave produzida (VX784) equipada com motor Derwent 5, tomada de ar dorsal atrás do cockpit, acabamento em metal natural
Avro 707ADuas aeronaves construídas, equipada com motor Derwent 8, asas modificadas, tomada de ar na raiz da asa, superficies de controle totalmente modidificadas. Primeiro modelo (WD280) acabamento na cor pink, mais tarde repintado em vermelho brilhante e finalmente em metal natural. Segunda aeronave (WZ736) acabamento na cor laranja.
Avro 707BUma aeronave (VX790), contruída para substituir o primeiro 707 que foi perdido em um acidente. Fuselagem com nariz mais long equipada com o motor Derwent 5 e tomada de ar dorsal. Pintura toda em azul.
Avro 707CUma aeronave contruída (WZ744), controles side-by-side, versao de treinamento baseada no modelo 707A com fuselagem mais larga motores Derwent 8 engine, tomadas de ar na raiz das asas wing root engine intakes, acabamento em metal natural, uma segunda aeronave chegou a ser encomendada mas foi cancelada.
Avro 724?Versão do modelo 707  equipada com seis jatos RB.108 lift para testes de decolagem em curta distância.
Avro 710Versão modificada para grandes altitutes e velocidade (Mach 0.95 e 60,000 ft/18,290 m), modelo de pesquisa de asa em delta. Equipado com dois motores Rolls-Royce Avon engines. Projeto abandonado e substituído pelo modelo 707A.

Em 1952 veio o segundo contrato agora para 25 unidades do que já era considerado o mais eficiente bombardeiro de longo alcance do mundo. O piloto de testes da Avro Roly Falk voou pela primeira vez em 30 de agosto do mesmo ano a bordo do protótipo VX770, que na época do primeiro vôo não possuía sistema de combustíveis nas asas e cabine pressurizada, alguns dias depois o mesmo modelo voaria na feira de Farnborough causando um grande espanto entre os participantes da feira.

Naquela época o modelo ainda não tinha um “nome” sendo apenas chamado pelo número de projeto Avro 698, então em outubro do mesmo ano o Conselho do Ar batizou o modelo de VULCAN em homenagem ao deus Romano do fogo e da destruição.

O Avro Vulcan podia voar a Mach .9 (1000km/h) e tinha uma razão de subida de incríveis 1500 mestros por minuto, era equipado com motores Bristol Olimpus 101 (os mesmos motores do Concorde) e mesmo com seus 57 mil kg de peso (vazio) e 33 metros de envergadura, ainda podia virar tunneaus !!!

Foram fabricados 136 exemplares e o modelo deixou de ser usado pela RAF logo após a Guerra das Malvinas no ano de 1982.

Bibliografia:

Brookes, Andrew. VULCAN UNITS OF THE COLD WAR, Osprey Publishing.

Jones, Barry. V-BOMBERS, Crowood Aviation Series

Revista Voar, Ano 2 N.18

O kit,

Composto por apenas 52 peças o kit é dividido em 5 sprues, sendo um para as transparências. A fuselagem é dividida em duas grandes partes, como nos tanks, superior e inferior, o encaixe é perfeito e acredito que pouco putty será necessário. O cuidado com a embalagem do kit é algo que chama a atenção neste modelo.

Ao contrário do kit da Dragon na 1/200 as linhas de painéis desta vez estão corretas (no kit da Dragon, algumas estão faltando) embora não estejam 100% corretas todas as linhas são em baixo relevo, e bem reproduzidas.

O kit é de montagem simples, e é uma excelente opção frente a única que havia no mercado nesta escala que era o caríssimo kit em resina da Anigrand (custo de 85 Dólares). E que basicamente possui o mesmo nível de detalhamento.

O cockpitnão tem detalhamentos, apenas dos assentos e dois pilotos são incluídos, o canopy é quase totalmente fechado, portanto muito pouco poderá ser visto de fora. O kit fornece esta peça separada, entretanto o acesso dos tripulantes se fazia por uma porta embaixo da aeronave e não por cima. A porta é provisionada no kit, mas sem a escada de acesso. A turbina é moldada em uma única peça, a entrada de ar e as paletas, acredito que esta parte será bem complicada de pintar, pois geralmente as paletas são de cores diferentes dos dutos e como tudo está moldado em uma única peça….

O leme é montado em duas partes, e o POD de ECM vem separado, o que acredito que versões anteriores poderão ser lançadas. Partes como o bomb bay, motores e saídas das turbinas também são peças separadas, o que me faz acreditar que outros kits com diferentes versões serão lançados. Quem sabe a versão de reabastecimento… já estou pensando em um diorama…. ou até mesmo a versão com a Blue Steeel.

O kit inclui dois AGM-45 Shrike, além de um POD ALQ101, utilizados na missão Black Buck. Os decalques são para as aeronaves XM597 – 101sqn e  XM607 of 44sqn, esta última foi a que teve de pousar no Rio de Janeiro em junho de 1982. A impressão dos decalques é boa, e eles são bem simples, sem muitos stencils ou detalhes.

As instruções vem em duas folhas separadas, uma para a montagem e outra para a pintura, que inclusive está no tamanho do kit, uma excelente ideia. O único esquema de pintura disponível é padrão em  Medium Sea Grey e Dark Green na parte superior e  Dark Sea Grey na parte de baixo.

Um ponto negativo do kit da PIT-ROAD são as instruções somente em japonês, pelos desenhos é possível entender a montagem, entretanto se alguma outra instrução importante estiver escrita será perdida por quem não conhece a língua, a PLATZ cometia o mesmo erro, entretanto nos últimos kits eles corrigiram o problema, publicando as instruções em Japonês e Inglês, espero que a PIT-ROAD siga o exemplo deles.

Como em todos os kits da PIT-ROAD este também inclui um suporte caso o modelista prefira montar o kit em posição de voo.

Certamente este é um kit muito esperado pelos colecionadores de kits na escala 1/144 e este com certeza preenche muito bem a lacuna que faltava. Altamente recomendado.

Este kit pode ser comprado na HLJ e Hobbyeasy.

É isso aí e até a próxima!

Written by 

Editor do Blog SprueMaster

Posts Relacionados

Deixe seu comentário

Obrigado!! Seu comentário poderá ser aprovado antes da publicação.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.