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Artigo do Leitor: MIG-21 1/48 Eduard

O leitor Tarcísio Moura me enviou um artigo sobre a montagem de seu MIG-21 1/48 da Eduard. A montagem ficou muito boa, e ele ainda escreveu um bom artigo sobre a montagem, com vocês Tarcísio e o MIG-21…

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Mig 21MF Fishbed J

Kit: Eduard #8231 – Review aqui
Escala: 1/48
Texto e Montagem: Tarcísio Moura

 

Sempre fui um grande apaixonado pelo Mig 21, seu design de delta com cauda elegante e suas formas aerodinâmicas. O primeiro kit que montei foi o Mig 21 PF da Revell, ainda nos anos 80 e, para a época, era até muito bom. Hoje em dia, no entanto, está muito ultrapassado, tanto em termos de engenharia quanto de detalhes. O segundo foi o kit do Mig 21MF (na verdade, mais para o BIS do que para o MF) da Academy, lançado em 1997, bem mais atualizado ainda que tivesse alguns pequenos erros e não ser o melhor dos encaixes.

Por fim chegamos aos anos 2000 e eis que chega a versão da Eduard, representando os modelos mais recentes do Fishbed: SMT, MF e Bis. Encontrei por acaso este modelo numa loja em Belo Horizonte e não resisti á tentação. Afinal, era uma versão profi-pack, significando que vem, teoricamente, com tudo que você precisa para fazer um kit altamente high tech: peças de photoetched, máscaras para pintura, decalques para várias versões e até lançadores de foguetes em resina. Tudo num pacote só e por um preço bem razoável.

Construção

Ao abrir o pacote encontrei sete sprues de plástico injetado em cor cinza azulado escura (ao invés do cinza-neutro standard da maioria dos kits atualmente) mais uma de transparências, totalizando nada menos do que 466 peças, fora as de metal. Aconselho a lavar bem estas partes, pois restos de agente liberador dos moldes costumam estar presentes e isso é especialmente notório em modelos dessa parte da Europa . Eu não prestei a devida atenção e isso me deu bastante dor de cabeça mais tarde quando na pintura do kit.

A engenharia do kit foi bem estudada visando à facilitação da montagem: não há praticamente nenhuma parte crítica nos encaixes que comprometa a pintura final (como acontece no kit da Academy, por exemplo). Aliás, os encaixes foram a grande surpresa no Mig-21, sendo todos com uma precisão que chega perto do padrão Tamiya. Eu utilizei muito pouco putty durante toda a construção do modelo.

O nível de detalhes é outra coisa que chama a atenção e coloco o exemplar da Eduard muito à frente de qualquer concorrência no mercado atual: caixas de rodas, trem de aterrissagem e portas são detalhadas e precisas, chegando ao ponto de incluir garrafas de ar sob pressão e mangueiras que normalmente são esquecidas ou ignoradas pelos outros fabricantes. Ainda que algumas delas exijam um pouco de jeitinho para uma boa instalação, nenhuma se mostrou um problema insolúvel ou mesmo exigindo alguma atitude mais extrema (como cortar ou lixar algum pedaço). Isso tornou a montagem algo fácil e prazeroso durante praticamente todo o tempo.

As instruções vem também de forma luxuosa, como uma revista, em papel couchê, de ótima qualidade, com um breve histórico do avião (em inglês e em tcheco), mapa dos sprues (indicando inclusive quais partes não serão usadas nesta versão) e opções de armamentos com seus respectivos suportes e localizações corretas. Também estão incluídas aí vistas de 4 ângulos de cada uma das pinturas opcionais para cada versão (em cores) e um mapa detalhado de onde colocar os decalques de mais de 150 stencils espalhados por toda a superfície da aeronave! É tanto detalhe que tive que estudar cuidadosamente os esquemas com antecedência e ainda voltar várias vezes para evitar maiores erros (alguns eu não consegui evitar).

A sequência de montagem é bem lógica, mas alguns itens como antenas e outros mais frágeis devem ser deixados para depois da pintura, como sempre, para evitar danos durante a manipulação do modelo. Ao contrário da maioria dos outros fabricantes, todas as minhas pesquisas indicam que a Eduard acertou nas cores que devem ser aplicadas, inclusive a parte opcional de dois tipos de pintura interna das caixas de rodas. Só são mencionadas tintas Gunze que, por acaso, eu considero as melhores do mundo para aviação.

O cockpit é uma joia do modelismo, ainda que exija certa habilidade com o photoetched. Embora existam opões em plástico para o painel de instrumentos e consoles laterais, as partes em photoetched são tão realistas que é duvidoso que alguém prefira ter todo o trabalho de pintar e detalhar tudo aquilo. No geral não tive muita dificuldade nesta parte, exceto ajustar o painel lateral esquerdo (PE 5) na fuselagem, que não ficou perfeito, mas assim mesmo impressiona. Alguns pequenos problemas de encaixe na hora de fechar a fuselagem foram localizados devido ao desalinhamento que eu fiz num console lateral (a posição não é mostrada com muita clareza nas instruções), mas foi tudo resolvido só com pequenos reajustes. O resultado final foi o mais perfeito e acurado cockpit de Mig 21 que já vi na vida e bate com todas as pesquisas que fiz.

Apesar de você ter de alinhar nada menos que cinco componentes na fuselagem na hora de fechá-la (cone do radar, cockpit, dois firewalls e motor), não tive qualquer dificuldade em fazê-lo: bastar cada uma estar alinhada corretamente no seu lugar e colada que as duas partes da fuselagem vão se fechar sem transtornos. Palmas para a Eduard por tão boa engenharia!

O assento ejetor KM-1 é um kit em si mesmo: são 17 partes de plástico e 12 de photoetched, fazendo um dos mais detalhados assentos que já vi em toda minha vida. Novamente ele é fácil de montar, mesmo você tendo que ter alguma habilidade extra para lidar com as várias partes de metal e colá-las na posição correta, sempre uma chatice, mas que vale, e muito, o resultado final. Sendo estas pré-pintadas, o seu trabalho também é consideravelmente diminuído.

O pouco putty que precisei aplicar se deve ao fato do encaixe entre asa e fuselagem não ser tão bom quanto o resto, mas mesmo assim foi mínimo e facilmente resolvido. O mesmo ocorreu entre a “corcunda” (parte H1) e o estabilizador vertical, que precisou, novamente, de um pouco de massa. Fora isso tudo mais se encaixou tão bem que dispensou extras.

Uma das poucas reservas que tenho com o kit foram algumas locações onde colar determinadas partes: praticamente não havia nada no espaço além de um traço no plástico, havendo pouca superfície para aderência tornando impraticável o uso de partes de photoetched para elas. Felizmente em vários casos as peças tinham sua versão também em plástico e, com um pouco de esforço e paciência, dava para usar a cola plástica para fundir a peça na posição com alguma segurança, como foi no caso dos defletores da fuselagem (partes D6). Mesmo assim havia outras em que a única peça disponível era de metal e aí a coisa se complicava. Exemplo: cansei de quebrar e perder as antenas IFF (PE 32) tamanha a fragilidade de suas posições, só para citar um exemplo. Além disso, elas são originalmente arredondadas e não achatadas como no kit, por isso acabei fazendo as minhas de sprue e, embora ainda frágeis, ficaram bem mais realistas.

O trem de aterrissagem foi outra parte que fiquei um pouco temeroso, pois costumam ser problemáticas e/ou frágeis. No entanto, novamente a engenharia da Eduard facilitou bastante o trabalho. Os pneus, por exemplo, são moldados separadamente da roda, tornando a pintura bem simples. O trem de pouso frontal se mostrou bastante frágil e exigiu reforço de mais cola (no caso, Super Bonder) para garantir firmeza na sua posição. Já os laterais se mostraram um encaixe tão apertado que nem precisei usar cola. Em geral não tive problemas em instalar os acionadores hidráulicos, uma vez localizados os lugares corretos e testados antes de colar definitivamente.

As transparências me pareceram um pouco grossas, mas sem exagero e livres de qualquer distorção, que ficaram ainda melhores depois que dei uma camada de Future Floor. As máscaras que vem no kit também se adaptaram perfeitamente nas curvas mais complexas. O único lugar que tive que um pouco mais de trabalho foi com o espelho retrovisor superior, mas levando-se em consideração a sua forma complicada, até que não ficou ruim o arranjo. Todas se comportaram muito bem, bloquearam totalmente a tinta, sem infiltrações e saíram com igual facilidade usando a ponta de um estilete para retira-las. Também não arrancaram a tinta que estava por baixo nos lugares onde tinha pintado antes, como os painéis da cauda.

Armamento

A  Eduard abasteceu seu Mig com uma generosa quantidade de opções que certamente vai satisfazer qualquer colecionador: três tipos de mísseis Atoll (R3S, R13 e R3R), o raro e difícil de se encontrar RS2US, bombas destruidoras de pista R24, bombas de uso geral FAB de 100 e 250 quilos (incluindo aí um ejetor múltiplo de bombas altamente detalhado) e um par de lançadores de foguetes não guiados UB 16 (estes em resina e metal). Também foram fornecidos três tanques de combustível: um na fuselagem e dois subalares. Para o meu kit eu decidi usar o Atoll mais comum, guiado por infravermelho (R3S) e os lançadores de foguete UB16, mais o tanque extra da fuselagem (O Mig-21 tem pouca capacidade interna de combustível, então raramente é visto sem pelo menos um tanque descartável).

Por último resolvi não fazer o arranjo de cockpit aberto sugerido pelas instruções: eu até tentei, mas por ser muito frágil acabei decidindo simplesmente deixar a cabine destacável, pois assim as pessoas poderiam ver melhor todos os detalhes e ao mesmo tempo poderia também dispor o avião em sua forma aerodinâmica se assim o desejasse.

Pintura

Quando montei o Mig-21 da Academy eu o fiz num acabamento de metal natural, então desta vez resolvi fazer uma versão camuflada. Já tem uns bons anos que tinha a folha de decalques da Aeromaster Mig 21´s: Flashpoint Fishbeds # 48-240. Nela encontrei uma bela versão para o Fishbed usado pela força aérea Angolana durante os anos 80, quando combateram as forças do então regime racista sul africano, por causa de frequentes ataques de Pretória na fronteira de Angola (que apoiava os insurgentes da Namíbia, país africano ocupado ilegalmente pela África Do Sul na época).

Até pouco tempo atrás conseguir acertar os tons de pinturas de aviões da antiga União Soviética era algo extremamente difícil e incerto. Hoje em dia, graças a Deus, existem as tintas Akan, criadas na própria Rússia e atualmente sendo produzidas na Finlândia. A firma tem uma longa lista de cores que vão desde a primeira guerra mundial até os dias atuais, incluindo todo tipo de aeronave, militar ou civil, com as cores oficiais. Melhor ainda: elas são acrílicas, podem ser diluídas com o thinner da Tamiya para um melhor acabamento e são fáceis de usar. Para ver mais sobre estas tintas clique aqui

Neste kit usei as cores 73006 Emerald Green (faded) para o interior do cockpit, a 73097 Sand, para a parte marrom da camuflagem e 73023 Grey Blue para a parte inferior. Como eu não tinha a cor correta para a parte verde da camuflagem eu usei o Field Green FS 34097 da Gunze (H-340) como substituto.

Como eu havia dito antes, tive alguns problemas de aderência da tinta porque não lavei direito o kit, o que me levou a ter que fazer vários acertos posteriores. Fazer o que? Vivendo e aprendendo… As instruções na folha de decalques da Aeromaster mostra a camuflagem do tipo degrade, com bordas suaves. No entanto, fotos que pesquisei de Migs angolanos mostram uma camuflagem do tipo sharp edge, bem definidas e sem linhas transitórias, e foi esta que resolvi adotar.

Como sempre usei Parafilm M para as máscaras: ele é fácil de aplicar, nunca deu problema de arrancar a tinta de baixo e pode ser cortado facilmente mesmo em curvas com um bom estilete. Além disso, com os problemas de aderência que tive não quis arriscar a usar o masking tape da Tamiya nem mesmo nas retas. Partes de metal foram pintadas com tintas Valejo: Gun, Steel e Aluminium. Apenas no anel em frente da fuselagem usei a Dark Iron da Tamiya. Os pneus foram pintados com Valejo Dark Rubber, minha tinta favorita para reproduzir uma boa cor de borracha de aviação. Não tive qualquer problema com nenhuma delas. Por últimos o cone do radar, rodas e painéis da fuselagem eu usei o Hub Green da Aeromaster. Quando terminei a pintura e fiquei satisfeito com os eventuais acertos usei o Future Floor como verniz.

Decalques e efeitos

Definitivamente eu já sabia que ia usar a folha da Aeromaster: esta empresa produzia um dos melhores (senão o melhor) decalque para aviação do mundo: finos, mas resistentes, precisos e que em geral se comportavam muito bem com apenas uma leve aplicação de amaciante. Dito e feito, todos os decalques principais ficaram perfeitos em suas posições e não tive qualquer problema com eles. Decidi então usar as dezenas e dezenas de stencils que vieram co o kit original. Foi a maior decepção de todo o projeto: embora fossem um tanto grossos, eram precisos e até legíveis (se você souber ler em russo, claro). No entanto, praticamente todos deram silvering e de nada adiantaram todos os truques que aprendi para lidar com esta praga, nem mesmo com maciças doses de amaciante de decalque. Apenas a aplicação de mais verniz posteriormente tornou a coisa menos ruim, mas não muito. Tive que deixar por isso mesmo e me conformar. Levei pelo menos cinco dias para aplicar todos os decalques.

Por último utilizei tinta guache preta diluída com água para acentuar os painéis do avião, além de dar luz e sombra e simular sujeiras dentro das caixas de rodas, cockpit. trem de pouso e calotas. Fora isso, usei giz pastel para dar efeitos como a fuligem em torno do canhão de 23 mm. A tinta guache é fácil de aplicar com qualquer pincel velho e o excesso sai facilmente com um cotonete úmido. Apesar de existirem muitas outras técnicas, esta ainda é a minha favorita pela facilidade de uso e simplicidade em corrigir erros.

Conclusão

Mesmo não sendo totalmente perfeito (assim, vamos dizer, um Tamiya), o kit da Eduard é o melhor Mig-21 já feito até hoje, em qualquer escala. Sua precisão, cuidado para cada detalhe e facilidade de montagem (ainda que com peças extremamente pequenas e frágeis, além de muitas de metal) o faz uma construção altamente satisfatória e no final você tem simplesmente a melhor reprodução de um Mig-21 que já vi. Vamos torcer para que os futuros kits desta empresa continuem com este nível de qualidade. Certamente a Eduard chegou ao top 5 dos maiores fabricantes do mundo com este lançamento.

Com certeza este não é um modelo para iniciantes, mas qualquer modelista que tenha alguma experiência na escala, especialmente com photoetched e em lidar com peças muito pequenas, não vai encontrar qualquer dificuldade maior para fazer uma fantástica réplica de um dos mais famosos aviões do mundo.

Altamente recomendado!

Fotos da montagem.

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É isso aí, parabéns ao Tarcísio e se você quiser mandar sua matéria para o  Artigo do Leitor do Spruemaster, basta seguir os passos mostrados aqui neste link.

Plastiabraço e até a próxima!


Written by 

Editor do Blog SprueMaster

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6 Thoughts to “Artigo do Leitor: MIG-21 1/48 Eduard”

  1. Guacyr Soares

    Pode aproveitar e fazer cópia em resina das armas, para vender ou oferecer para outros modelistas que não comprem um mig 21 eduard, ou até mesmo trocar.

    1. Tarcísio

      Oi,Guacyr. Eu nunca mexi com resinas, mas achei a idéia válida, já que até hoje a Trumpeter está prometendo um set de armas russas que nunca chega (só a versão 1/32). Espero que o façam em breve. Abraços

  2. Wilson "Shepard"

    muito bom…..

    parabéns….

    shep

    1. Tarcísio Moura

      Muito obrigado por comentar sobre o meu kit. Valeu!

  3. Marlus Brigola

    Belissimo kit, que interior magnifico!

    1. Tarcísio Moura

      Realmente, o interior deste Mig é o mais completo e acurado que já vi até hoje, bate com todas as fotos que vi do avião verdadeiro. Vale a pena adquirir o kit se vc for fã desta eescala. Abraços!

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