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Artigo do Leitor: MIG-23 MF “FLOGGER B” 1/32

É isso ai pessoal, mais uma vez o leitor do Blog Tarcísio Moura envia um artigo sobre uma montagem para nós, obrigado mais uma vez e excelente trabalho Tarcísio!

MIG-23 MF “FLOGGER B” 1/32

por Tarcísio Moura

Fabricante: Trumpeter

Escala: 1/32

Tipo: kit de plástico injetado,  incluindo partes de photoetched, metal e pneus de borracha.

História: criado em torno do novo e poderoso radar Saphir-23 e mísseis R-23, o Mig-23 (codinome da OTAN: Flogger) foi o primeiro caça de linha soviético a incorporar a tecnologia de asas de geometria variável. Comparado com seu antecessor, o famoso Mig-21, ele era menos manobrável, mas era mais rápido, possuía maior capacidade de combustível e armamentos do tipo além do alcance visual. Sua produção começou em 1970 e continuou até 1985, com cerca de 5.000 exemplares construídos. Ele foi também exportado para países como Angola, Bulgária, Cuba, Alemanha oriental, Síria, Tchecoslováquia, Romênia e Síria entre outros, continuando em serviço ativo em muitos deles até hoje.

O Kit da Trumpeter:  O fabricante chines foi a primeira a lançar um kit do Flogger na escala 1/32, em 2010. Eu sempre fui apaixonado por este avião desde que o conheci em revistas de aviação nos anos 80. Meu desejo era montar um modelo em escala 1/48, mas como uma boa cópia do Flogger só existia dentro da categoria 1/32, então eu o encomendei (obs, quando eu já estava na metade da montagem a Trumpeter lançou uma versão 1/48 do mesmo kit. Oh, vida… fazer o que?),

A primeira coisa que notei foi o tamanho da caixa, enorme. Dentro dela, nada menos do que 28 galhas(!) de peças, além de mais três de transparências,  um set de pneus de borracha (não vinil), uma folha de detalhes em photoetched e partes internas do trem de pouso em metal, além de mais algumas peças extras de plástico fora das galhas. No total 565 partes compõe este que é provavelmente o mais complexo e detalhado kit que já montei até hoje.  Fiquei também impressionado pela quantidade de armamentos que vem na caixa: praticamente tudo que o Mig-23 pode carregar, tanto em missões de interceptação quanto de ataque ao solo estão aqui: mísseis ar-ar e ar-terra, pods de canhões, tanques extras e de translado, bombas de vários tipos, etc. Tudo incluindo os suportes corretos para cada item. Tanta coisa que vc vai ficar com um estoque de armas extras soviéticas em escala 1/32 e de alta qualidade como vc nunca teve antes. Muita generosidade da Trumpeter, especialmente considerando o preço bem razoável que paguei por ele.

Instruções: No geral elas são boas e bem explicativas, com um mapa geral de todas as galhas e divididas em 30 partes, incluindo um esquema mostrando quais os armamentos levados por cada suporte no final. Mas estão longe de serem perfeitas (ver mais embaixo).

Decalques: uma folha contendo decalques para dois Flogger, um Tcheco e outro da antiga Alemanha Oriental. Uma longa folha à parte vem com centenas de decalques para os stencils e marcações em geral do avião, suportes e armas.

A montagem: Confesso que fiquei um tanto intimidado com o tamanho do desafio. Este era o maior e mais complexo modelo que eu já tinha adquirido até então. Sabia que ia demorar e que não seria exatamente um passeio, mas muito encorajado pelos belos detalhes que vinham no kit, mais uma folha de decalques que comprei da Linden Hill Imports (firma americana onde eu também adquiri as tintas Akan russas) e pela vasta possibilidade de armamentos, eu fui em frente.

O cockpit: se mostrou bem detalhado e o encaixe na fuselagem precisou de alguns pequenos ajustes, mas nada demais. Foi todo pintado com a cor Emerald Green da Akan, que representa perfeitamente o verde acinzentado  dos aviões russos desse período. Instrumentos são representados por decalques, mas estes se mostraram complicados para aplicar sobre as superfícies cheias de alto relevo, de modo que acabei pintando a mão os detalhes dos consoles laterais. O assento ejetável KM-1 incluído no kit é bastante preciso, mas veio faltando o pacote de emergência que serve como almofada do assento. Também foram fornecidos apenas parte dos cintos de segurança em photo etched, de modo que achei melhor usar uma cópia em resina da True Details que eu já tinha. A firma americana não tem os exemplares mais high tech do mercado, mas deu para quebrar bem o galho e, depois de pintado, ficou muito bom. Usei apenas a alavanca de ejeção do kit para complementá-lo. Deixei a cobertura transparente da cabine solta pra poder mostrar o interior, já que o mecanismo de abertura se mostrava tão frágil que se quebraria facilmente.

A construção: em geral se mostrou boa, com as caixas de rodas sendo acrescentadas á fuselagem por dentro, com um encaixe muito bom. Elas me pareceram muito precisas e, embora não tão atravancadas de detalhes como o avião original, eu as achei bem adequadas. Perfeccionistas, no entanto vão fazer a festa, pois o tamanho facilita bastante as possibilidades de acrescentar mais detalhes.  As placas laterais perfuradas das entradas de ar vieram representadas de forma excelente em photo etched dando um efeito bem realista. Aliás, devo acrescentar que não tive quase nenhum problema com as peças em metal, todas de boa qualidade e se adaptando muito bem em cada detalhe. A única exceção foram os ejetores de cartuchos vazios do canhão, muito ruins e praticamente inúteis. Realmente, a firma chinesa faria um grande favor a muito plastimodelista se ela colocasse peças em plástico opcionais ao invés de obrigar-nos a nos virar com uma única alternativa em metal.

O kit inclui o motor R-29 completo e bem detalhado. Vc pode deixar a cauda destacável para mostrá-lo. Seria interessante se a Trumpeter tivesse colocado uma forma de cobrir a parte traseira apenas para o kit e poder deixar o motor inteiro ser exibido no carrinho de transporte incluído, já que logo ficou claro que o encaixe da parte posterior da fuselagem não ficaria bem e vc teria que decidir entre aberto ou fechado. Eu decidi fechar a fuselagem e o motor mostrou atrapalhar ainda mais do que eu havia pensado o encaixe. Tive que cortar parte dele para poder caber tudo e me contentar com as fotos que tirei antes de instalar.

Os encaixes da fuselagem: A engenharia do kit foi bem feita, com boas idéias sobre como tornar as asas operacionais de forma consistente e a dar às entradas de ar a necessária profundidade sem dar a bandeira de mostrar o interior vazio. Boa idéia. Infelizmente aos encaixes se mostraram apenas razoáveis, especialmente falhos na junção da parte frontal com a fuselagem, com muito putty, lixa e paciência sendo necessários para conseguir fazer tudo ficar mais realista e alinhado. Como conseqüência muito dos precisos, delicados e sutis detalhes na fuselagem e adjacências se perdem inevitavelmente durante o processo. Alguns eu consegui recuperar mais tarde, mas outros mais complexos eu não fui tão bem sucedido.

Da mesma forma eu jamais vou entender porque a Trumpeter colocou os flaps e spoilers das asas como opção única deles abertos. Basta ver qualquer foto do avião pousado para saber que o Mig-23 só tem flaps e slats baixados e spoilers levantados durante vôo;  quando estão em terra eles sempre ficam recolhidos. Deveria ter uma opção para recolhê-los, mas não tem; o que significou mais trabalho no sentido de cortar, lixar e adaptar estas peças para ficarem ajustadas nos seus devidos lugares. A impressão que ficou foi que a Trumpeter quis agradar apenas a super detalhistas, sem consideração para com a maioria dos modelistas.

Curiosamente para um modelo tão grande e detalhado, uma cópia do radar não foi incluída. Aproveitei o espaço para preencher com Durepóxi, já que necessitaria de muito peso no nariz para contrabalançar a grande quantidade de plástico na cauda.

Armamento: o modelo vem com uma cópia excelente do canhão Gsh-23, incluindo até mesmo os magazines de munição. Não veio nenhum mecanismo para mostrá-lo por dentro, mas felizmente eu descobri que o encaixe na fuselagem ficou tão bom que evitei colá-lo, para poder retirá-lo dali para mostrar estes detalhes.

Apesar de o kit vir com uma montanha de opções, não foi difícil para mim escolher o que colocar. Eu desejava um Flogger interceptador, então sua configuração mais comum é a de dois mísseis R-23 de médio alcance, um na versão guiada por radar (R) e o outro por infravermelho (T), levados em suportes  sob as asas e quatro R-60 de curto alcance na fuselagem. Pode ser acrescentado um tanque extra de combustível, mas como normalmente a capacidade interna do avião costuma dar conta do recado (são raras as fotos de um Mig-23 com tanques suplementares), decidi deixá-lo de lado. Já tinha coisa demais para dependurar por ali.

Estes mísseis se mostraram kits em si mesmos e, como o restante do avião, são réplicas perfeitas dos originais. Fiquei muito feliz que os stencils estavam todos lá. Aplicar todos aqueles decalques em cada um deles foi tedioso e demandou tempo, mas o resultado final valeu o investimento.

Interessante observar aqui que as instruções não explicam em lugar algum que os suportes para os mísseis R-60 na fuselagem são duas partes sobrepostas. Em pelo menos um caso na internet eu vi um modelista que foi induzido ao erro por causa disso, chegando ao ponto de afirmar que os slots para os suportes estariam errados e sugerindo adaptações para usar um suporte só. Se ele tivesse observado as fotos do avião verdadeiro com mais cuidado provavelmente teria visto o que eu vi e haveria solucionado o problema.

Aliás, as instruções se mostraram falhas em diversos aspectos, inclusive deixando de mencionar que se deve abrir um slot extra para a parte mais longa do leme horizontal na fuselagem. Ele vem marcado na parte de dentro da peça, mas é bom estar atento para fazer isso antes da montagem ou ficará muito mais complicado de resolver o pepino. As instruções tampouco mostram que a aleta ventral do Flogger fica recolhida para a direita quando o trem de pouso se abaixa. Ela só está na posição indicada quando o avião está em pleno vôo.

Trem de pouso: o aspecto que mais me surpreendeu no kit foi como a Trumpeter conseguiu reproduzir com precisão o complexo trem de pouso principal. Nada menos do que 12 partes compõe cada uma das pernas, incluindo-se aí os detalhes em photo etched que ficaram muito bons e realistas. Tratei de usar a opção de reforçar a parte interna delas com uma peça de metal ao invés de plástico porque com um kit tão grande elas iriam ter que agüentar muito stress no final. Os pneus de borracha especialmente ficaram perfeitos.

Decalques: Nunca tive muitos problemas com decalques da Trumpeter, mas não resisti a adquirir uma das folhas que a Linden Hill estava vendendo. Eu acabei ficando com a LHD 2012, que vem com decalques para 7 versões: 3 soviéticas, 2 da Bulgária e uma cada para Tchecoslováquia e Alemanha Oriental. Optei pela versão do Mig-23 “vermelho” 01, pertencente a 28 GvIAP-PVO, uma unidade de elite, encarregada da defesa de Moscou em 1992. A escolha desta nacionalidade também facilitou a correta escolha de cores, já que as instruções da Linden Hill davam as tintas da Akan a serem aplicadas.

Estes decalques, apesar de levemente translúcidos nas partes mais claras, se mostraram bem superiores aos da Trumpeter, sendo mais finos e precisos, e se adaptaram muito bem ao modelo, só precisando de uma pequena aplicação de amaciante Mark Softer para se conformarem a todas as curvas e depressões. Do kit eu usei apenas os stencils, os quais tive um pouco mais de trabalho para aplicar, pois estes não se adaptaram tão bem às diversas superfícies e demonstraram uma desagradável tendência ao silvering, mesmo após numerosas aplicações de amaciante de decal. Mesmo assim, as dezenas deles deram um ótimo efeito no modelo acabado, especialmente depois de umas boas camadas de Future sobre eles para o acabamento final.

Interessante destacar aqui que uma fina película dourada aplicada em torno das transparências da cabina do avião de verdade vem em forma de um decalque. Ele deu algum trabalho para ficar no lugar e muito amaciante para se conformar, mas o resultado ficou muito bom quando finalmente terminado (ver as fotos).

A Pintura:  Decidi pelo o típico e belo esquema de camuflagem tática muito usado nos anos 70 e 80. Como era de se esperar uma pintura de 4 cores, fora a parte de baixo do avião, não foi das mais simples de se aplicar. Mais uma vez eu agradeço ter conhecido as tintas Akan (acrílicas, fáceis de usar e com cores precisas dos aviões russos) e o Parafilm M que facilitou demais as máscaras. Primeiro cuidei de fazer um pré-shading com flat Black da Tamiya em todas as reentrâncias. Depois apliquei o blue-grey da Akan (73023) em toda a parte inferior. A tinta Akan pode ser diluída em água ou álcool, mas eu preferi usar o thinner da Tamiya, onde o resultado se mostrou melhor e mais fluído no aerógrafo, além de dar um belo acabamento semi fosco. Depois que mascarei com parafilm as partes a ficarem com esta cor, eu fui aplicando as demais tintas na superfície seguindo a lógica das cores mais claras para as mais escuras. Precisei uma quantidade imensa de Parafilm para a tarefa, mas valeu a pena. As cores usadas foram Brown (73098), Sand (73097),  Green (73099) e Dark Green ((73055). Para o cone do radar e outros painéis eletrônicos usei o Radio Transparent Grey (73010).  Partes metálicas eu usei tintas da Valejo.  Foi muito interessante ver como as cores oficiais soviéticas diferem consideravelmente das reproduções que foram feitas  no ocidente durante anos. Aconselho também fazer uma boa pesquisa sobre as cores internas em geral, já que a maioria das indicações nas instruções não é confiável.

Conclusão: O trabalho final ficou simplesmente fantástico (e enorme), capturando muito bem o aspecto massudo e as linhas corretas deste avião. Não houve nada que eu tivesse visto no avião original que a Trumpeter não tenha reproduzido aqui. Em termos de detalhamento este é um modelo nota 10. No entanto, por causa do grande número de peças, a complexidade de muitas partes, certos detalhes em photo etched e metal, alguns problemas de encaixe e instruções nem sempre corretas, este é definitivamente um kit para plastimodelistas experientes. Especialmente aqueles que gostam de bons desafios.

P.S. – Peço desculpas pela má qualidade das fotos, tiradas do meu celular. O kit é tão grande e cheio de detalhes que era difícil até de se enquadrar.

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Agradeço ao leitor Tarcísio Moura por ter enviado mais este artigo, se você também quer enviar seu artigo para o blog basta acessar este link e ver como fazer.

Plastiabraços e até a próxima!


Written by 

Editor do Blog SprueMaster

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2 Thoughts to “Artigo do Leitor: MIG-23 MF “FLOGGER B” 1/32”

  1. Tarcísio Moura

    Obrigado pelo comentário, Marcos. É um kit trabalhoso, mas não há dúvidas que é o mais perfeito modelo do Mig-23 no mercado até hoje.

    Abraços

    Tarcísio

  2. Marcos

    Que lindo avião, Tarcísio. Realmente o detalhamento é impressionante…

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