História & Modelismo Museus walkaround 

Museu Eduardo A. Matarazzo

Quem mora no interior de São Paulo já deve ter visitado o Museu Eduardo A. Matarazzo na cidade de Bebedouro – SP pelo menos uma vez na vida. Eu particularmente não sei quantas vezes estive por lá, e para mim as visitas ao museu sempre foram muito legais, pois era a única coisa mais próxima da história da aviação que um paulista do interior podia chegar.

Claro que depois pude visitar outros museus até fora do Brasil, mas este sempre teve um gostinho especial, pois foi ali na minha infância que minha paixão pela aviação cresceu. Os domingos em que minha mãe me levava até lá, sempre foram dias especiais.

Quanto ao museu em si é óbvio que já ouvi muitas críticas, principalmente pelo estado de conservação de algumas peças, eu mesmo confesso que já fiz algumas também, por outro lado não podemos nos esquecer que bem conservado ou não, ali havia um museu.

Como diz o Jornalista Eduardo Bueno:

Um povo que não conhece a própria história está fadado a repeti-la

E a grande função de qualquer museu é justamente contar a história para as pessoas…

O museu Eduardo André Matarazzo foi inaugurado em 1969 e sua coleção sempre cresceu, acumulando veículos, aeronaves, etc. Grande parte do acervo pertence a uma entidade sem fins lucrativos, que se um dia desfeita, terá seus pertences devolvidos aos antigos donos.

Devido a sua localização, em um antigo brejo no final do lago municipal da cidade de Bebedouro-SP, o museu sofreu duas grandes inundações, uma em 1984 e outra em 2006, nestas inundações muitas peças foram severamente danificadas. Por isso algumas peças do museu apresentam um estado de conservação bem ruim.

O acervo do museu é de:

  • 92 – Carros
  • 1 Blindado
  • 1 Anfíbio
  • 3 peças de Artilharia
  • 1 Mina Marítima
  • 1 Torpedo
  • Vários tipos de Munições
  • 19 Aeronaves
  • 6 Motocicletas
  • 28 peças ferroviárias e tratores (locomotivas, reboques, bonde etc)
  • 90 peças diversas, como teares, máquinas de escrever, motores, telefones

Infelizmente dia 22 de Janeiro de 2017 foi o último dia em que o museu ficou de portas abertas. Uma série de razões levaram ao seu fechamento, e não me atrevo a discuti-las aqui no Blog. Para quem quiser ir mais a fundo e entender o que levou o museu a fechar as portas, convido a ler  a carta enviada por Patrícia Matarazzo, Diretora do Museu, à Prefeitura Municipal da cidade de Bebedouro.

Infelizmente, este é mais um museu que fechas as portas no Brasil, independente das razões que levaram ao seu fechamento, uma coisa que não podemos esquecer é que a perda, em termos culturais,  para a população é incalculável.

No dia 15 de janeiro de 2017 visitei o museu pela última vez e foi muito grande a minha surpresa ao ver que muitas peças já não estavam mais lá, dos mais de 90 carros, apenas uns 20 estavam em exposição, as aeronaves estavam ainda mais deterioradas desde minha última visita, muito triste ver o estado do DC-6 e do SAAB Scandia, o único restante no mundo.

Abaixo algumas peças do museu que pude fotografar nesta última visita, nas legendas das fotos faço alguns comentários. Para quem pretende montar o Gloster Meteor lançado pela Airfix, acho que algumas fotos podem ajudar.

 

 Gloster Meteor F-8 

Algumas fotos dos dois Gloster Meteor F-8 ( c/n G5-453704, FAB 4409 e /n G5-453798, FAB 4442) que estão no museu, o motor de um deles está exposto em uma bancada de testes. Serve  muito bem como referência. As duas aeronaves apresentam a pintura de “ovo estalado”  uma no padrão vermelho e outra no padrão azul.

Uma coisa que chamou bastante a atenção foi os “intakes” da turbina de madeira! Não sei se foi alguma restauração realizada no próprio museu ao longo do tempo, ou se realmente a aeronave era assim (dada a época em que foi construída) mas é um detalhe bastante curioso e que não encontrei nas referências que li.

 

Renault FT-17 (1917)

O FT-17 foi o primeiro blindado leve produzido da história, e participou da primeira Guerra Mundial, servindo inclusive na Missão Militar de 1918. O modelo foi produzido em duas versões uma com canhão e outra com metralhadora. O Exército Brasileiro adquiriu 12 veículos do tipo. Este presente no museu é do modelo canhão, porém teve o mesmo retirado e substituído por uma metralhadora. Um detalhe curioso é que algumas peças da lagarta são de madeira. O modelo pesa 6 toneladas.

 

 

SAAB 90A Scandia

Com um desenho muito parecido com o Douglas DC-3 o O SAAB SCANDIA teve uma vida breve sendo produzidas apenas 18 unidades do modelos, pois na época ele tinha que competir com as sobras de guerra justamente do DC-3. Inicialmente 11 aeronaves foram encomendadas pela SAS e 6 pela VASP e Aerovias Brasil. Posteriormente toda a frota da SAS foi comprada pela VASP tornando a mesma a única operadora da aeronave no mundo.

Devido ao pequeno número de aeronaves construídas e o descaso com a preservação histórica, o único exemplar restante em todo o mundo é o c/n 90-115, (PP-SQR) utilizado pela VASP que hoje encontra-se no museu, em um estado avançado de deterioração.

Já ouvi muitas histórias sobre tentar tirar a aeronave de lá, sobre a SAAB tentar comprar a aeronave de volta, e tantas outras, mas não posso afirmar nada quanto a veracidade de nenhuma delas. Uma coisa é certa ,este é um dos exemplares que mais me dói o coração de ver o estado em que se encontra. E agora ainda mais, pois não há como saber qual será o seu destino final com o fechamento do museu.

Um quero-quero resolveu fazer um ninho bem embaixo da asa do Scandia, então infelizmente não tive como chegar muito perto para fotografá-lo, pois ele estava “protegendo” o Scandia. (risos)

 

 

Westland-Sikorsky WS-51 Dragonfly

O Dragonfly entrou em serviço nos anos 50 na Royal Navy com o propósito de ser usado como aeronave de busca e salvamento.  A versão civil (WS-51s) foi produzida com a intenção ser usada como aeronave agrícola, transporte executivo, foi exportada para muitos países.

O exemplar que se encontra no museu pertenceu a rede Record de televisão, e depois foi comprado pela família Andraus. Um dos fatos mais curiosos desta aeronave é a utilização de um motor radial Pratt & Whitney R-985 Wasp Junior, o mesmo motor que equipava aeronaves como o Beech 18, Gruman Goose, entre outros, tinha potência de 450hp. Um vídeo muito interessante de sua operação na Guerra da Coreia pode ser visto aqui.

 

Infelizmente este é mais um Museu que vai embora, e que com certeza vai deixar de inspirar pessoas como eu.  Meu obrigado para os diretores do Museu por mantê-lo vivo enquanto conseguiram.

É isso aí e até a próxima!

Written by 

Editor do Blog SprueMaster

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10 Thoughts to “Museu Eduardo A. Matarazzo”

  1. sergio

    Lucas, bom dia!
    É sempre uma alegria um novo post do Spruemaster, pena que desta vez foi triste. Não tinha conhecimento do Museu de Bebedouro, se tivesse teria sido um visitante. Um acervo importante que corre sério de se perder, algumas peças são raríssimas. Tristeza.
    A vida continua.
    Plastiabraços
    Sergio

  2. Paulo José

    Olha, aquele holofote, o FT-17, a Flak18 e aquele trator militar Mineapollis Moline poderiam ser doados para algum dos Museus que o EB manten . O museu do CMS não tem nenhum destes em seu acervo. Talvez nem o Museu em São Grabriel-RS tenha.

  3. Bom pessoal, parece haver alguma luz no fim do túnel, acabei de ver esta matéria, mas ainda não recebi nenhum pronunciamento oficial do Museu.

  4. Ronaldo Magalhães

    É realmente uma pena.

    Quando o Museu da Tam fechou, falou-se em reabri-lo no Campo de Marte, onde ele seria mais acessível. Também foi falado em reunir o acervo da Tam com o do Musal.

    Alguém tem notícia se esse projeto continua em andamento? Seria conveniente abrigar alguns dos exemplares do Matarazzo, também.

    1. Ronaldo,

      Ouvi boatos de que o Museu talvez viesse para o campo de Marte, mas sinceramente não sei de nada, qualquer dia desses vou tentar lugar para o Sr João e ver se ele me dá algum furo de reportagem rsrs

      Plastiabraços!

  5. Rogerio 77

    Se vendessem somente o Scandia para a Saab ganhariam o suficiente para restaurar muita coisa. Talvez até a Saab restaurasse todo o museu, afinal eles são suecos …

    1. Pois é Rogério, estas são aquelas situações que a gente fica meio que sem entender. Mas na carta da Patrícia, que linkei no artigo, muita coisa é explicada.

      Infelizmente não há o que nós, meros espectadores, podemos fazer nem mesmo para ajudar.

      Plastiabraço!

  6. Fabricio Cerqueira Leite

    Show de bola, ainda não fui, mas com certeza irei. Valeu pela matéria Lucas.

    1. Antonio Ferreira

      Mas o museu fechou amigo.

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